sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Neymar não precisa sair do Brasil



Mais uma derrota da seleção brasileira para um adversário que integra o Top 10 mundial.

Mais uma vez, a mídia elege como alvo o melhor jogador de futebol do Brasil: Neymar.

Mais uma vez, fãs dos “cinta-dura” pedem que a maior revelação brasileira dos últimos anos vá para a Europa.

A justificativa: contra grandes adversários Neymar não brilha. Na Europa, Neymar se aperfeiçoará, desenvolverá o talento necessário para “arrebentar” com a amarelinha.

Argumentação fútil.

Repare: Messi está na Espanha desde “molequinho” e levou mais de quatro anos para poder começar a jogar na seleção argentina 10% do que faz no Barcelona.

Oras, se ele já estava há tanto tempo no futebol europeu, por que demorou tanto para começar a jogar bem na seleção?

Os companheiros são, em sua maioria, os mesmos: Higuaín, Dí Maria, Mascherano, Aguero, Banega...

Será que entrosamento e maturidade tem alguma ligação com isso?

Certamente.

E mais.

Pelé não precisou sair do Brasil para ser o maior jogador de futebol de todos os tempos.

Nem Garrincha.

Nem Tostão.

Nem Ademir da Guia.

Nem Rivelino.

Nem Zico.

Todos se transformaram em craques mundiais jogando no Maracanã, no Pacaembu, no Mineirão, na Vila Belmiro, no Morumbi...

Não precisaram ir para o futebol europeu para provarem que eram diferenciados.

E, quando eles jogavam aqui, o Brasil era potência, escola de futebol (a mesma que Pep Guardiola disse ter tido como inspiração para treinar esse super Barcelona).

Colocar toda a culpa em Neymar pelo fraco futebol da seleção é injusto e equivocado.

Foi o primeiro jogo sob o comando de Felipão, que já admitiu: fará testes.

O veterano e rodado Ronaldinho Gaúcho perdeu uma penalidade quando ainda estava zero a zero. E desperdiçou o rebote também...

A dupla de volantes formada por Ramires, do inglês Chelsea, e Paulinho não funcionou.

O lateral-esquerdo do Barcelona, Adriano, tomou um baile...

Arouca errou no segundo gol inglês.

O veterano e rodado Luis Fabiano foi peça nula.

Mas, é mais fácil só culpar o garoto que não jogou bem e perdeu um gol “na cara”, além de implorar para que ele vá embora.

Afinal, lá na Europa ele vai se aperfeiçoar enfrentando o Levante, Osasuña, Lecce, Granada, Pescara, Sunderland, Augsburg...

O futebol europeu é tão superior, que o atual campeão mundial é o... Corinthians.

Claro, jogar no Barcelona, no Real Madrid, no Manchester United, no Milan, é um privilégio. Assim como é honra para poucos atuar com 10 do Cruzeiro, do Santos, do São Paulo, do Flamengo...

Neymar não precisa sair do Brasil para crescer como jogador. Aqui mesmo ele ainda pode evoluir, se estudar bem seus adversários e seguir enfrentando todos os rivais com a mesma seriedade.

No Brasil ele já recebe uma grana preta (semelhante ao que recebem as estrelas "de lá") e enfrenta adversários poderosos, sim.

Aliás, enfrenta times fortes com mais frequência do que se atuasse em qualquer liga europeia, onde somente dois ou três times apenas lutam anualmente pelo título.

Observação: Não esqueçam que a Liga dos Campeões, que reúne os gigantes europeus, não é uma liga nacional. Ele não vai enfrentar a Juventus, o Arsenal, o Bayern de Munique toda semana...

Se um dia Neymar quiser ser eleito o melhor jogador do mundo, ok, que vá para a Europa, pois a Fifa insiste em endeusar os europeus e desprezar o continente que mais revela grandes jogadores de futebol.

Mas, afirmar que somente o futebol europeu o fará crescer é balela. Que o diga Luan (ex-Toulouse-FRA), Íbson (ex-Porto-POR, Spartak-RUS), Robinho (ex-Real Madrid-ESP, Manchester City-ING), Fernando Baiano (ex-Wolfsburg-ALE, Celta-ESP), Betão (ex-Dínamo Kiev-UCR), Denílson (ex-Betis-ESP)... Ou eles se tornaram gênios após centenas de jogos contra adversários europeus?

terça-feira, 6 de março de 2012

Novos ares

O blogueiro não esqueceu de sua criação.

Mas o tempo e a rotina não têm cooperado para que eu sempre atualize o blog.

No entanto, quem quiser ler minhas postagens (sim, ainda escrevo, e com bastante frequência) tem algumas opções.

A primeira é me adicionar no Facebook (veja meu perfil), onde eu sempre coloco o link das minhas postagens.

A segunda é sempre dar uma olhadinha na minha coluna no Brasil Diário, a "Coluna A+".

Por fim, semanalmente escrevo para o Fala Sério (toda segunda) e para o Nova Esportes (toda sexta).

Dá uma forcinha aí.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Pisou na bola...

A Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão dos jogos do Mundial de Clubes da Fifa "pisou na bola" nesta quarta-feira (14).

A estreia do Santos no torneio, esperada com tanta ansiedade pelos torcedores do time praiano, só foi transmitida pela emissora para o estado de São Paulo.

Todos os outros estados brasileiros ficaram com Ana Maria Braga...

Quem quis assistir ao confronto contra o japonês Kashiwa Reysol, seja torcedor do Santos ou não, teve que apelar para a TV por assinatura - o Esporte Interativo, da TV aberta, também transmitiu a partida, mas nem todos os televisores conseguem reproduzir a programação da emissora.

A atitude da Globo foi deplorável. E a justificativa, pior ainda.

De acordo com o site Yahoo, a "Plin Plin" informou que "por ser uma semifinal, fase do Mundial que não decidia o título, a TV Globo optou por transmitir o jogo para São Paulo, onde está a grande parte da torcida do Santos. A grande final será exibida para todo o país".

Oras, uma equipe brasileira é campeã da Libertadores, vai disputar a semifinal do Mundial de Clubes e a partida não tem importância?

Isso é revoltante, beira o absurdo, e é lamentável que uma emissora do porte da Rede Globo tenha tomado essa decisão.

Não transmitir a semifinal do Mundial de Clubes que envolve um representante do Brasil é um baita desrespeito com os apaixonados por futebol.

O confronto tinha que ter sido televisionado pelo simples fato de ter um time brasileiro em campo, seja ele o dono da maior torcida do país ou não, por uma questão de compromisso com os fãs do futebol e respeito pelos torcedores, sejam eles em grande ou pequena quantidade.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Bobagem

O primeiro jogador de futebol que eu admirei foi Romário. Lembro até hoje de quando ele fez aquele golaço contra a Holanda, na Copa do Mundo de 1994.

Naquela época, eu tinha apenas seis anos de idade, mas já era apaixonado por futebol.

Nos anos seguintes, a eficiência de Romário não foi o suficiente para me atrair mais do que as jogadas sensacionais de um tal de Ronaldo.

A superação das lesões nos joelhos na Copa de 2002 foi um exemplo e a consagração daquele que eu considerava o melhor jogador que eu vi jogar.

Enquanto Ronaldo mostrava ao mundo seu talento com a bola nos pés, Romário fazia gols e mais gols. E discutia com Pelé, até dar a histórica declaração: "Pelé calado é um poeta".

Anos depois, repensei a frase: "Ronaldo calado é um poeta".

Tudo por causa da declaração repugnante que ele deu ao assumir o cargo no Conselho Administrativo do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014.

Traduzindo para  a vida real, ele assumiu o cargo de escudo para o odiado Ricardo Teixeira, presidente "vitalício" da CBF.

Ao colocar o "Fenômeno" na equipe que organiza a Copa do Mundo mais cara da história, Ricardo Teixeira dá uma tacada de mestre: se aproxima de alguém popular e diminui as críticas aos absurdos gastos do Mundial.

E Ronaldo começou bem no cargo ao dar uma declaração que reflete bem o espírito que parece ser o da CBF: "Uma Copa do Mundo não se faz com hospitais".

Esse absurdo foi uma resposta a uma pergunta sobre os gastos elevados em estádios e etc.

Dinheiro que ao invés de ser investido em hospitais, segurança pública e educação, está sendo investido em "infraestrutura para a Copa".

Muitos podem dizer: "mas sem a Copa esse investimento nunca seria feito".

Lamento, senhores, mas um erro não justifica outro.

O que está sendo gasto nesse Mundial é algo que revolta a qualquer ser com bom senso.

O país cujos professores recebem entre dois e três salários mínimos.

O país onde policiais são obrigados a fazer "bicos" fora do expediente.

O país com vias esburacadas e aeroportos caóticos.

O país com filas imensas nos hospitais públicos.

É o mesmo país que gasta mais do que quatro nações juntas gastaram para receber o Mundial. E o valor cresce mensalmente.

Em meio a um protesto contra o presidente Lula - muitos sugeriram que ele fosse tratar o câncer no sistema público de saúde, surge essa declaração imbecil, estúpida, que beira a cegueira.

Parece que Ronaldo não enxerga o país em que vive.

Ou não se importa com isso.

Afinal, ele não precisa do sistema público de saúde.

Os filhos dele não frequentam as escolas públicas.

Mas, o próprio povo se preocupa com essas questões?

Se os brasileiros se interessassem por esses problemas, teriam colocado um palhaço para nos representar no Congresso?

Talvez, a declaração de Ronaldo não represente apenas o terrível espírito que a CBF deixa transparecer.

Mas, infelizmente, talvez seja a opinião do povo.

Se o país não tem educação, saúde e segurança, que ao menos tenha jogos em poltronas confortáveis.

Dizem que cada um tem o que merece.

E eu tenho vergonha de pensar no que o Brasil merece por causa do conformismo diante dessa situação.

Pois, pelo jeito, não seria nada diferente da nossa realidade.

Uma realidade desgraçada.

- PS: eu sonhava com uma Copa do Mundo no Brasil. Hoje, tenho nojo e raiva.

domingo, 28 de agosto de 2011

Que fique o aprendizado

Foto: UFC
O que o UFC tem a ensinar para o mundo esportivo brasileiro?

Muito, principalmente quanto à organzação, à "marquetagem" e, notadamente, o respeito que existe aos atletas e entre eles próprios.

Todos os lutadores se cumprimentam após as lutas, não importa o que tenha acontecido dentro do octógono.

As provocações existem, claro. E ninguém agrada a todos, portanto, é normal que um lutador não goste de outro.

Mas pelo esporte, o respeito predomina. Não importam os gostos e preferências, o esporte os une e o respeito entre os atletas é algo muito legal de se ver.

E chamou muito a minha atenção o presidente do UFC, Dana White, agradecer Forrest Griffin, nocauteado por Maurício Shogun, durante a coletiva.

Um repórter perguntou ao Forrest o que aconteceu para ele ter sido nocauteado. A resposta foi direta: ele não sabe o que aconteceu, pois treinou muito para aquele dia.

Pouco depois, perguntaram se o fuso horário teria influenciado na performance dele dentro do ocotógono. E Griffin disse que adoraria usar essa desculpa, mas não poderia.

Foi então que Dana White tomou o microfone e contou que dentro dos próximos dias a mulher de Forrest dará luz ao filo do casal.

E o presidente do UFC não citou isso como uma desculpa para a derrota, mas apenas para agradecer ao lutador por ter vindo ao Brasil participar do UFC Rio em um mometo tão importante para a família dele.

Bem diferente do que acontece no Brasil.

É duro ver esportistas sem a menor condição de treinar.

Ver as confederações darem as costas aos atletas.

Ver pessoas talentosas ficando pelo caminho devido à falta de investimentos e estrutura.

Isso acontece também, óbvio, em outros países.

Mas achei muito legal o presidente do UFC apenas agradecer ao lutador por participar de um evento histórico.

Foi um ato de reconhecimento muito bonito.

E vindo de quem transformou o UFC.

Dana White, junto com os outros organizadores do UFC, está dando um show de organização e promoção da marca do esporte.

Fica o exemplo para os dirigentes brasileiros.

A Copa e as Olimpíadas estão chegando.

Espero que o legado seja precioso para o esporte brasileiro. E que seja muito bem aproveitado.

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