terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Vencer ou não deixar um rival comemorar?

Chegamos à última rodada do Brasileirão 2009, um dos campeonatos mais disputados da história mundial e com a melhor média de público das últimas 22 edições.

Polêmicas não faltaram: arbitragens ruins, gols mal anulados, pênaltis não marcados, jogador que merecia ter sido expulso e não foi, jogador que não merecia ter sido expulso e foi, mudança de horário das partidas, jogadores convocados que voltaram machucados. Tudo como sempre aconteceu.

Porém, nas últimas partidas da competição, as polêmicas estouraram em todos os cantos.

Primeiro foi a mala branca para Goiás e Barueri.

Depois, na penúltima rodada, a dúvida era se o Corinthians entregaria o jogo para o Flamengo, visando prejudicar os rivais São Paulo e Palmeiras, além do Internacional, com quem tem travado acaloradas discussões desde 2005.

Agora, na última e decisiva rodada, a dúvida é se o Grêmio jogará contra o Flamengo, no Maracanã, o que não jogou em nenhuma outra partida do Brasileiro.

Sim, o time com a segunda pior campanha fora de casa se vê pressionado para ganhar do líder, na casa do adversário. A campanha do Grêmio fora do Olímpico é ridícula: 12 derrotas, 5 empates e 1 vitória.

Na última rodada, o Tricolor gaúcho, que não tem mais nenhum objetivo no campeonato, em prol da moral e da ética, tem que ganhar do Flamengo. E pode beneficiar o Internacional, o maior rival.

Imprensa e alguns dirigentes já proclamaram: o Grêmio tem que escalar os titulares, nada de dar férias antecipadas e ganhar uma semana de pré-temporada em 2010.

O Corinthians passou por processo parecido. Para não beneficiar São Paulo, Palmeiras e Inter, o Timão tinha que vir com força máxima e bater o Flamengo, em Campinas.

Poucos se lembram que o Corinthians está em ritmo de treino desde a conquista da Copa do Brasil e pouco produziu no Brasileiro.

Mas, dirigentes e imprensa cobram dedicação máxima na competição, mesmo quando não se tem mais nenhum objetivo.

Sinceramente? Qual torcedor prefere que seu time derrote o outro e acabe dando o título para o maior rival? Qual é a motivação para que os atletas joguem mais do que jogaram no campeonato inteiro? No mundo real, poucos torcedores desejam isso.

A imprensa e dirigentes são hipócritas quando cobram esses resultados.

Os dirigentes reclamam mais por desespero, por não terem sido tão competentes no campeonato. Se tivessem jogado melhor e tivessem desperdiçado menos pontos, não dependeriam do maior rival para levantar a taça.

Afinal, quem explica o empate, no Morumbi, entre São Paulo e Santo André? E o empate contra o Atlético Paranaense, no mesmo estádio?

O que justifica o empate do Palmeiras com o Sport no Palestra Itália? E a derrota para o Santo André diante da torcida alviverde?

E o Inter, por que perdeu para o Botafogo no Beira-Rio? E o empate com o Atlético Paranaense diante da própria torcida?

Tropeçaram e na reta final, dependem dos adversários.

O Flamengo, se não vencer o último jogo, também pode depender de um rival: o Botafogo. Lutando contra o rebaixamento, o Fogão pode dar o título ao Fla caso vença o Palmeiras. (O Fla que também tropeçou, afinal, como explicar o empate com o Náutico em casa? Ainda vale lembrar o empate com o Barueri, também no Maracanã).

Num campeonato de pontos corridos, cada jogo é uma final. E cada vacilo pode custar o título. Nos casos acima, foram citados somente jogos contra times que passaram o campeonato lutando contra o rebaixamento. Os confrontos diretos nem foram citados...

E chegar na última rodada dependendo de uma vitória do rival para ser campeão não é prova de competência.

Não há motivos para cobrar qualquer motivação extra dos rivais. Isso é irreal. É bizarro.

No próximo campeonato, não tropece e garanta o título sem depender de ninguém, muito menos de um histórico adversário.

Quem jogou futebol, quem sabe como é o coração de um torcedor, tem uma certeza: evitar que um rival ganhe um título ou rebaixá-lo tem um gosto delicioso.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Haja coração!

Mais uma rodada que derrubou palpites, fez torcedores revoltados se tornarem esperançosos e esperançosos ficarem um pouco frustrados. Uma rodada que manteve o campeonato embolado, tanto na parte de cima como na parte de baixo.

O Palmeiras era dado com um ex-candidato ao título após a derrota para o Grêmio, na quarta-feira. Mas, no domingo à noite, palmeirenses voltaram a sonhar com o título. Tudo por que a diferença que era de apenas 3 pontos para o líder continuou assim ao final da 36ª rodada.

O Internacional, que frustrou os torcedores colorados após deixar escapar títulos importantes no durante o ano e decepcionar em algumas partidas no Brasileiro, aparece agora na terceira colocação, com apenas três pontos a menos que o líder e a tabela, teoricamente, mais fraca dentre os candidatos ao título.

O líder São Paulo poderia ter saído do topo após a derrota para o Botafogo, mas o Flamengo não venceu o pior time do segundo turno. Com isso, a diferença entre primeiro e segundo colocados caiu para apenas 1 ponto.

Tudo embolado na parte de cima. E a tabela de jogos está assim:

O São Paulo joga contra o Goiás no Serra Dourada e termina o Brasileiro contra o rebaixado Sport em São Paulo.

O Flamengo enfrenta o Corinthians em Campinas e duela contra o Grêmio no Maracanã.

O Internacional joga contra o Sport, no Recife, e fecha o torneio contra o Santo André, em Porto Alegre.

O Palmeiras faz duelo direto pela Libertadores contra o Atlético Mineiro e, na última rodada, enfrenta o ameaçado Botafogo, no Engenhão.

Ou seja, sobrou para o Palmeiras a tarefa mais complicada na reta final. Inter e São Paulo tem os jogos teoricamente mais fáceis, enquanto o Flamengo tem dois jogos equilibrados, mas contra times que não querem mais nada no campeonato e, pior, vêm os rivais disputando o título.

Com uma combinação de resultados, podemos chegar à última rodada com nada menos que 4 times com 62 pontos. Basta o São Paulo perder para o Goiás, o Flamengo empatar com Corinthians e Palmeiras e Internacional vencerem seus jogos. Nada impossível. Mas muito emocionante.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Mais uma vez, a incompetência assombra o Brasileirão

Estava tudo bonito de mais para terminar assim. Mas, devido à inteligência da CBF e das diretorias dos clubes, o final do Campeonato Brasileiro (em uma das edições mais emocionantes da história) já começa a trazer problemas "além dos normais".

Reclamar de pontos perdidos por culpa dos árbitros já não é novidade. É rotina. Nas partidas, um time ganha e outro é derrotado pelo juíz. Virou banal. Mas, esse não é o foco dessa matéria.

O problema é que a genial CBF reservou para a última rodada Corinthians x Flamengo no Pacaembu, enquanto no Palestra Itália, no mesmo dia e horário, se enfrentarão Palmeiras e Atlético Mineiro. Em um raio de aproximadamente quatro km, quatro das maiores torcidas do Brasil com os ânimos exaltados, afinal, dentre os times envolvidos, dois são rivais históricos e três estão na disputa feroz pelo título.

A Polícia Militar de São Paulo, temendo uma confusão entre os milhares de torcedores que estarão andando pela cidade no mesmo horário e na mesma região, pediu, e foi atendida pela CBF, a tranferência da partida do Corinthians e Flamengo - o jogo foi transferido para Campinas.

Mas, a diretoria do Palmeiras já começou a reclamar, afirmando que o Flamengo será beneficiado pois jogará em campo neutro.

Oras, por que não reclamaram antes do campeonato começar? Agora que vêm a Libertadores e o título do Brasileiro por um fio é que começam a criticar? E por que a CBF não pensou nisso antes? Mesmo que os quatro times não estivessem disputando título, vaga na libertadores ou seja lá o que for, por que a CBF deixou marcados, no mesmo horário e região, os dois jogos envolvendo quatro dentre os maiores times do Brasil (em número de títulos e torcedores)?

Mais uma vez, o amadorismo dos "comandantes" do futebol e dos times brasileiros aparece para ofuscar o brilho de um espetáculo singular.

E quem paga é o torcedor, que vê um campeonato emocionante, eletrizante, dividir espaço com a incompetência dos seus gerentes...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Indecifrável

Definitivamente, o Brasileirão 2009 é o craque em quebrar previsões. Tanto na parte de cima como na parte debaixo da tabela, não dá para fazer mais nenhuma previsão "óbvia".

No começo do campeonato, era óbvio que o Avaí seria o saco de pancadas, o Inter seria campeão, o Galo ficaria no meio da tabela e o Grêmio iria para a Libertadores.

Era óbvio que o São Paulo não conseguiria reagir e ficaria no meio da tabela, assim como o Flamengo e o Cruzeiro. Era óbvio que o Sport ficaria na metade de cima da tabela.

Tudo óbvio e claro.

Até que as previsões começaram a cair. O São Paulo reagiu, o Sport parou de vencer, o Inter começou a tropeçar, o Cruzeiro entrou no campeonato, o Avaí não perdia, o Flamengo só vencia... E os palpites das primeiras rodadas foram sendo nocauteados.

Claro, os pitacos de vários jornalistas (incluindo os meus) sempre vinham acompanhados de um precavido "ainda é cedo para fazer qualquer análise". E era mesmo. Pitacar é divertido e alimenta as várias discussões sobre o futebol. Palpites são apenas para alegrar mais os debates e ver quem acertou mais no final do ano. Agora, o torneio está perto do final. Ainda vou esperar para ver se acertei mais do que errei, ou se foi o contrário (muito mais provável). Quem quiser conferir meus palpites antes de começar o Brasileirão09, clique aqui.

Mas já errei em alguns pontos: Nilmar foi embora no meio do ano e matou minha sugestão de que ele seria o artilheiro do Brasilero...

Como revelação, tinha apostado minhas fichas no Neymar. Mas o time ruim e a queda de rendimento do garoto me fazem acreditar que errei... Giuliano (Inter) jogou demais, assim como o Rafael Tolói (Goiás).

O craque, pensei, seria o Fenômeno. Quando jogou, Ronaldo (Corinthians) fez bem seu papel, mas uma série de lesões o impediu de jogar com regularidade. Victor (Grêmio), Petkovic (Flamengo) e Tardelli (Goiás) arrebentaram nesse campeonato. O Marcelinho Paraíba (Coritiba) também tratou a pelota muito bem e é um dos responsáveis por não deixar o Coritiba ser rebaixado no centenário. Diego Souza (Palmeiras) jogou bem em alguns jogos, mas foi irregular na maioria das partidas.

A zebra passou longe. Santos na libertadores? Só se for em 2011, por que a do ano que vem não dá mais. Tenho dúvidas se algum torcedor do Avaí esperava uma campanha tão boa como foi a do time do Guga. A zebra do Brasileirão09 tem listras azuis e brancas...

Meu palpite sobre "o mico do ano" caiu logo na final da Copa do Brasil - arrisquei que o Corinthians não iria para a Libertadores. Paguei mico. E ainda apostei que o Inter ganharia tudo em 2009... Porém, mico mesmo está pagando o estado de Pernambuco, que corre o sério risco de não ter nenhum representante na série A em 2010...

Agora, resta esperar a tabela final para ver quantos palpites eu errei...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Mais estranho que a sigla

IFFHS. Uma sigla bem estranha, mas também conhecida no mundo do futebol. As letrinhas são as iniciais de International Federation of Football History & Statistics (Federação Internacional de História e Estatística do Futebol).

Porém, mais estranhos que as siglas são os rankings de times.

Você conhece o Everton, da Inglaterra? Não? Esse clube divide a 40ª posição do ranking com Real Madrid e Milan. E a Roma? É a 10ª melhor equipe do planeta, bem na frente da Inter de Milão (20ª). O FC Twente (HOL), está logo a frente da atual tetracampeã italiana.

Se são avaliados os resultados nos últimos 12 meses, então por que o Fluminense está na frente do Flamengo e Atlético Mineiro? E o que o Barueri está fazendo na 333ª posição?

Clique aqui e confira o ranking de times completo no site da Federação.

Curiosidades encontradas no próprio site:

- O Palmeiras é o único time brasileiro que já liderou a lista - 4 vezes. O líder é o Milan - por 37 vezes apareceu na 1ª colocação.

- O Ranking histórico só conta títulos a partir de 1990 e o melhor brasileiro é o São Paulo, na 17ª colocação. O Grêmio é o segundo melhor brasileiro, na 33ª posição e o Cruzeiro fecha o pódio tupiniquim no 36º lugar - confira aqui a lista completa.

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