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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Entrevista: Marjorie Castro

Jogadora de futebol feminino do Centro Olímpico e da Seleção Brasileira Sub-20.  Artilheira e melhor jogadora da Copa Ouro 2016 e autora do gol do título Sul-americano Sub-20 contra a Argentina.

Uma das maiores apostas do futebol feminino brasileiro, Marjorie Castro tem se destacado dentro das quatro linhas e também fora dela. Convocada para as seleções de base desde os 15 anos, hoje, aos 19, Marjorie começa a despontar entre as atletas profissionais. E se dentro de campo as conquistas começam a aparecer, fora dele a jovem jogadora também já curte o sucesso: nas redes sociais, milhares de seguidores acompanham a carreira dela.

Em entrevista ao programa Nova Esportes, da rádio Nova Difusora, Marjorie falou sobre a paixão pelo futebol, os desafios de uma atleta no Brasil e planos para um futuro não tão distante.

A relação com o esporte vem de família: o pai, Eric, era jogador de Rúgbi, a mãe, Eduarda, era bailarina e o irmão caçula, Erik, também busca o sucesso no futebol. "Desde pequena sempre amei jogar futebol. Na escola, briguei por que queria jogar futebol com os meninos, mas a escola não deixava que meninos e meninas jogassem juntos. Falei: ou jogo com os meninos, ou não vou participar das aulas de educação física. E acabaram me liberando para jogar futebol com eles", conta.

A oportunidade para jogar em um time surgiu ao acaso. "Eu estava na praia jogando com meu irmão, quando um homem que eu não conhecia apareceu e pediu para eu chamar meu pai. Ele era um representante do Centro Olímpico e me convidou para fazer um teste no time".

Daí em diante, Marjorie passou a se dedicar a carreira como jogadora. Versátil, começou como atacante, mas hoje joga como meia-atacante. "Gosto de ir para cima e infiltrar na defesa adversária. Também tenho bom chute", afirma.

Com o apoio da família, a loira de olhos claros se prepara para ampliar seus horizontes. Além de se dedicar nos treinos, ingressou na faculdade de jornalismo. O foco: jornalismo esportivo.

Mas, nem tudo são flores quando o tema é futebol feminino. O técnico de Marjorie no Centro Olímpico, Jonas Urias, já havia citado obstáculos históricos nessa modalidade, como a falta de apoio e investimentos. E Marjorie, além de confirmar as palavras de Urias, completou: "A gente joga em cada lugar... Tem vestiário que não dá para usarmos os sanitários. Fora que alguns campos são puro barro. E as categorias de base praticamente não tem campeonatos para disputar", lamenta.

Por isso, seguir carreira no exterior está nos planos da talentosa jogadora.

Fica a nossa torcida para que, um dia, o futebol feminino brasileiro tenha, pelo menos, o mínimo de estrutura para reter talentos como a Marjorie, com campeonatos bem organizados, investimento adequado, apoio das autoridades públicas, das empresas privadas e dos torcedores, e também bons estádios para que elas mostrem o talento com a pelota. Hoje, infelizmente, a realidade é muito cruel com essas meninas.

sábado, 30 de abril de 2016

Entrevista: Jonas Urias, técnico do Centro Olímpico

Ser treinador de futebol no Brasil é estar, a cada dia, na berlinda: se os resultados são bons, os jogadores são valorizados, se o resultado é ruim, a culpa é do técnico. Ser treinador de um time feminino, então, pode ser desafio dobrado. Afinal, em terras tupiniquins, essa modalidade não conta nem com 1% da estrutura e reconhecimento que o futebol masculino possui.

Em entrevista interessantíssima ao programa Nova Esportes, da Rádio Nova Difusora, o técnico Jonas Urias, do Centro Olímpico, fala sobre os principais desafios da profissão.

E, claro, dinheiro não ficou de fora da conversa. "Hoje, se formos comparar o que ganha a melhor jogadora brasileira, a Marta, com o que ganha o melhor jogador brasileiro, o Neymar, ela não recebe nem 1% do que ele ganha mensalmente", conta Jonas.

Encontrar patrocinadores também é um desafio, já que a modalidade tem pouca divulgação. "Isso vira uma bola de neve. Sem verba, as condições de treinamento são piores. Com um treinamento que não é adequado, as atletas não se desenvolvem como poderiam e acabam não apresentando um bom espetáculo. E um espetáculo que não possui grande qualidade, não atrai investimento. E ficamos nesse ciclo, sem saída", lamenta.

A alternativa, segundo Jonas, seria obter mais incentivo do poder público, que deveria apoiar mais o esporte e dar mais condições às equipes e atletas.

Diante desse cenário, como  motivar as jogadoras a seguir na profissão? "Temos que trabalhar outros pontos, que não sejam apenas financeiros. Elas são muito apaixonadas pelo que fazem, se entregam mesmo, por isso, trabalhamos muito a questão da união", explica Urias.

Com toda essa falta de apoio, o Brasil vai ficando para trás no cenário mundial. E nem mesmo boas idéias acabam sendo bem executadas, como a seleção permanente. Nesse projeto, algumas atletas passaram a ser bancadas pela seleção e se tornaram jogadoras apenas do Brasil, não mais dos clubes, com períodos intensos de treinamento, mas pouca participação em competições. E essa falta de competição acaba por matar a ideia, já que as atletas ficam sem ritmo de jogo. Além disso, clubes estrangeiros passaram a assediar e contratar essas jogadoras, oferecendo melhores condições de trabalho, salários mais altos e, claro, ritmo de jogo, já que elas disputam campeonatos com frequência. "Times da Coréia, da Suécia e da França, por exemplo, chegavam com boas propostas e levavam essas atletas. A seleção permanente passou a perder diversas jogadoras", conta Jonas.

Apesar disso, ele se mostra esperançoso com a participação da seleção nas Olimpíadas, mesmo em uma chave complicada, com Suécia, China e África do Sul. "Acredito que vamos passar em primeiro no grupo". Questionado sobre as possibilidades do Brasil ser campeão, de zero a 10, avaliou como "4" a chance do ouro ficar em solo brasileiro. E ele avaliou, de zero a 10, como "8" as chances do Brasil ser medalhista.

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