terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Peixe vai nadando tranquilo no Paulistão

O Santos vai sobrando no Campeonato Paulista de 2010. Jogando um futebol envolvente, com boa troca de passes, muita movimentação e jogadas de habilidade, o Peixe novamente é o destaque na mídia.

E, nessa primeira metade do torneio, a beleza está aliada à eficiência, já que o time é líder isolado, oito pontos a frente quinto colocado, o São Caetano, tem o melhor ataque (27 gols em 10 partidas) e a quarta melhor defesa (10 gols sofridos), além de ter um dos artilheiros da competição, Neymar, com sete gols.

A ótima campanha do time surpreende a todos, principalmente após as previsões do técnico Dorival Júnior, que esperava muito sofrimento para os santistas nos primeiros meses do ano, até o time adquirir um bom entrosamento. Com sete vitórias seguidas, o Santos 2010 derrubou um tabu de 40 anos - a última vez que tinha vencido tantas vezes assim foi no Paulistão de 1968, quando tinha um verdadeiro esquadrão comandado por Pelé.

Mas, o atual elenco não pode, em hipótese nenhuma, ser comparado com aquele time consagrado. O Santos de hoje é um time com alguns jogadores habilidosos que vivem uma boa fase e podem se tornar grandes jogadores, como Neymar e Paulo Henrique, liderados por um jovem que ainda não se tornou o que todos esperavam que fosse se tornar - Robinho.

O Santos de 68 era um time com jogadores consagrados e competência comprovada com uma vasta galeria de troféus. Comparar as duas equipes é cometer um grande erro. A única coisa que as duas têm em comum é o fato de terem vencido sete partidas seguidas. Nada mais.

Além disso, é bom conter a euforia, pois a boa fase do Peixe não é sinal de que o título já tem dono. No ano passado, o Palmeiras era o time sensação e morreu na praia (com o perdão do trocadilho). O time que jogou de maneira mais eficiente foi quem levou o caneco em 2009.

Fazer um bom primeiro turno dá confiança para o time, mas eles não podem se iludir. A partir da semi-final o campeonato é totalmente diferente. E mesmo que o time chegue à final, os defeitos não podem ser mascarados, como na última temporada.

O Santos ainda precisa fortalecer o elenco. É necessário contratar pelo menos mais dois atacantes de área, um primeiro volante e um lateral-esquerdo para compôr elenco. Além disso, é bom o Peixe achar mais um meia armador, pois Marquinhos ainda não engrenou e Mádson há muito tempo não tem jogado bem - com excessão da partida contra o Mirassol.

No ano passado o Santos chegou a final do Paulistão, achou que tinha uma bom time e descobriu durante o Brasileiro que não era bem assim. Que fique a lição.

PS: o mesmo recado vale para o Botafogo, campeão do primeiro turno no Rio de Janeiro. Ano passado, os dois alvinegros finalistas dos estaduais lutaram grande parte do campeonato para não serem rebaixados. O recado foi dado.

PS 2: Pode ser que o título não venha, mas dá gosto ver o time do Santos jogando.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Santos leva a melhor no clássico

Santos e São Paulo fizeram um grande jogo na Arena Barueri nesse domingo (07/02). As duas equipes sempre buscaram o gol e não desrespeitaram o adversário, numa partida que ficou marcada pelos belos lances e, felizmente, sem violência dentro e fora das quatro linhas.

O clássico foi bem movimentado e teve diversas oportunidades de gol.

É até difícil eleger um jogador como o melhor do clássico San-São.

Pelo lado santista, a zaga foi muito bem e deu a impressão que os torcedores do Peixe não vão ter arrepios a cada ataque dos rivais, como nas duas últimas temporadas.

No meio-de-campo, a baixa foi Marquinhos, muito apagado, com pouca eficiência com a bola rolando e nas cobranças de falta e escanteio - atuando desse modo, seguirá o mesmo rumo que Lúcio Flávio e, antes do final do primeiro semestre, voltará ao time onde se destacou. Já Paulo Henrique deu um show, com várias jogadas de habilidade e objetividade.

No ataque, belas jogadas, boa troca de passes, mas pouca mira nas finalizações.

O São Paulo também teve muitas qualidades. Xandão foi muito bem na partida e parece ter um futuro promissor. A zaga são-paulina continua forte, mas Renato Silva parece ser o ponto mais fraco do setor.

No meio, Hernanes segue instável, mas mesmo em dias de pouca inspiração, é uma arma perigosa do Tricolor. A deficiência continua sendo a armação das jogadas. Marcelinho Paraíba tem tudo para ser "o cara" da armação, mas precisa jogar muito mais do que no clássico, quando esteve apagado e não criou nada, apenas desperdiçou as poucas oportunidades que teve.

No ataque, o São Paulo precisa ter mais opções, apesar de ter vários "coringas" como Dagoberto, Marcelinho Paraíba e Marlos.


O JOGO

A partida foi muito equilibrada e as duas equipes criaram várias oportunidades de gol.

O Santos dominou o primeiro tempo e ameaçava o São Paulo quando atacava pelas laterais, com Wesley e Léo sendo muito acionados e Arouca chegando como homem surpresa. O Tricolor respondia nos contra-ataques puxados por Dagoberto e Hernanes. Porém, as finalizações não foram boas e muitos chutes foram parar no alambrado.

Mas quem marcou primeiro foi o Santos. Arouca foi derrubado dentro da área por Miranda e, na cobrança do pênalti, Neymar deu uma "paradona" linda, Rogério pulou e deixou o gol aberto para o ousado menino  abrir o placar e se isolar na artilharia do torneio com sete gols em sete partidas.

O São Paulo melhorou no segundo tempo, principalemnte após a saída de André. Sem o garoto prendendo um dos zagueiros, a defesa são-paulina passou a anular todas as jogadas ofensivas do Santos. E, pouco depois da reestréia de Robinho com a camisa sete do Peixe, o Tricolor conseguiu empatar com Roger, após cruzamento de Marcelinho Paraíba.

Mas, no finalzinho, Robinho anotou um golaço de letra e decretou a vitória santista.

Com a vitória, o Santos alcançou 16 pontos e reassumiu a liderança. O Botafogo tem a mesma pontuação do Peixe, mas pior saldo de gols, apesar de ser a melhor defesa do campenato até agora. O Corinthians é o terceiro com 14, mesma pontuação da Ponte Preta. O São Paulo caiu para a sétima posição, com 11 pontos, um a menos que o rival Palmeiras.


O SANTOS

O começo de temporada do Santos surpreende.

Depois de ter reformulado todo o time, era esperado muito sofrimento no começo do semestre santista, mas o futebol que a equipe tem desenvolvido é de encher os olhos dos amantes do bom futebol.

Com boa troca de passes, muita movimentação e com Neymar e Paulo Henrique esbanjando maturidade e habilidade, o Santos tem jogado um futebol agradável de se ver.

A defesa, maior preocupação das duas últimas temporadas, parece estar se acertando. O meio-de-campo tem feito boas partidas e Arouca parece ter caído como uma luva no Santos, enquanto Wesley se tornou o coringa de Dorival e tem jogado bem onde quer que seja escalado. Paulo Henrique tem desequilibrado e é um dos principais jogadores do santos. No ataque, Neymar está arrebentando e é o artilheiro isolado do campeonato. André tem sido uma peça importante no esquema santista, pois tem sido o "homem de área" alvinegro e tem feito bem esse papel, fazendo seus gols, criando oportunidades, se movimentando bastante e pressionando a saída de bola dos rivais.

É claro que ainda falta muito a melhorar e os campeonatos estaduais iludem e mascaram muita coisa. O Santos precisa de um atacante de referência, de um lateral-esquerdo e de um meia que jogue pela direita. O time titular do Santos é bom, mas o elenco precisa ser reforçado. Os santistas não podem se iludir com esse começo de temporada, como foi em 2009, quando chegou à final do Paulistão.

A diferença entre o Santos de 2010 e o de 2009 é gritante. O time atual é, de longe, melhor que o do ano passado. A diretoria agiu bem ao dispensar os jogadores que não renderam bem e, até o momento, as contratações pareceram acertadas.

Além disso, o técnico Dorival Júnior é competente, sabe montar boas equipes e tem um ponto que combina muito com o Santos: sabe e, aparentemente, gosta de utilizar os jogadores da categoria de base.

O Santos sempre obteve sucesso quando deu chance para os "meninos da Vila". Desse modo conquistou os títulos mais importantes e sempre montou equipes que jogavam bem. E essa é a esperança da torcida santista.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Palmeiras tem o pior elenco dentre os 4 grandes de São Paulo?

O campeonato paulista começou há menos de um mês e os grandes times ainda estão começando a se entrosar, novos jogadores ainda estão chegando e muita coisa vai mudar até o final do ano.

Porém, nesse início de temporada, o Palmeiras aparece no centro de algumas críticas e desconfiança.

Os quatro grandes de São Paulo contrataram novos jogadores, mas o Palmeiras foi quem fez menos alarde com as aquisições. São Paulo, Corinthians e Santos se reforçaram em vários setores, já o Verdão contratou muitos jogadores defensivos, enquanto o setor ofensivo sofreu diversas baixas. Vágner Love, Obina e Ortigoza foram embora e quem chegou? William, voltando ao clube após empréstimos, mas que atua fora da área. Robert joga isolado e tem que correr por dois.

E para piorar, quando Cleiton Xavier e Diego Souza não podem jogar, não há substitutos. O meio-de-campo carece de mais jogadores, principalmente quando começar o Brasileirão, muito longo e que exige um bom elenco. Volante o Palmeiras tem vários, mas armadores e atacantes estão em falta.

O Palmeiras não tem opções ofensivas, o que dificulta muito em partidas mais amarradas, como a desse final de semana contra o Corinthians. Uma equipe que deseja conquistar títulos precisa ter um bom plantel, um elenco numeroso e qualificado em todos os setores, o que hoje o Palmeiras não tem.

No estado de São Paulo, talvez o único grande que tenha realmente várias opções para as diversas posições seja o Corinthians, apesar de não ter reservas para as duas laterais. Mas nas outras posições está bem servido.

O São Paulo não tem um substituto para Washington e desde a saída de Danilo joga sem um meia criativo. Para solucionar isso, o Tricolor trouxe Marlos (no ano passado), Marcelinho Paraíba, Carlinhos Paraíba e Léo Lima.

O Santos não tem um camisa 9, um jogador de referência na grande área, apesar dos gols de André, da estréia positiva de Zé Eduardo (ex-Palmeiras) e de ser, até o momento, o melhor ataque da competição. Falta o matador. A zaga, muito criticada no ano passado, foi renovada e , por enquanto, tem dado conta do recado, sendo a melhor defesa do Paulistão até a 5ª rodada.

Mas, aparentemente, o elenco que oferece menos opções é o do Palmeiras, que ainda não tem nem os onze titulares, já que ainda falta um atacante "trombador" e a zaga ainda não foi definida.

É bom a diretoria palmeirense abrir os olhos desde o começo da temporada e começar a reforçar o elenco, para quando chegar em dezembro, não precisar procurar desculpas para as decepções no decorrer do ano.

PS: Que fique claro que os campeonatos estaduais enganam muito, iludem, mascaram algumas deficiências e não dá para prever qual time será o melhor do ano. Mas, quando os problemas são mostrados logo no começo do torneio, é melhor resolvê-lo rapidamente, antes que ele cresça muito. E isso vale para todos os times. Planejar e contratar bons jogadores para todas as posições é essencial para qualquer time que sonhe grande.

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